sexta-feira, 29 de junho de 2012

Avaliação da aprendizagem: aprender a aprender

"É preciso romper definitivamente o estereótipo do mestre com a fita métrica na mão, pronto para medir, julgar e rotular cada um de seus estudantes". Luiz Carlos de Menezes (físico, educador e um dos autores da matriz de competências do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM)

Tirinha da Mafalda, de Quino.

Será que é possível medir a capacidade de aprender ou a quantidade de aprendizado de alguém? Qual seria a forma mais inteligente e produtiva de se fazer isso? 

A forma de avaliação da aprendizagem depende da prática pedagógica à qual está inserida. Uma prática pedagógica tradicional propõe um sistema conservador, como se pegassem uma régua e medissem, literalmente, o quanto um estudante assimilou e decorou conteúdos (levando em conta apenas o programa da escola), em uma abordagem quantitativa e classificatória. No entanto, se a prática pedagógica for inovadora, a avaliação tenderá a ser transformadora, construtiva e passa trabalhar com diagnósticos, em um processo contínuo, visando privilegiar a construção do conhecimento que o próprio aluno realizou e onde ele tem dificuldades.

Por que não perguntar ao aluno, porque não auxiliá-lo em uma auto-avaliação? Deixar que ele mesmo responda o que ele não entendeu, porque acredita não ter entendido, se o método da explicação e trabalhos desenvolvidos não o ajudaram ou não foram significativos para ele, etc. Todo mundo está sempre aprendendo e todo mundo sabe alguma coisa, os alunos não são diferentes. Eles aprendem todos os dias e já sabem um monte de coisas que normalmente tentam relacionar com o que aprendem de novo! 

Mas é preciso deixar claro ou permitir que o aluno consiga relacionar disciplinas, conceitos e realidade. Será que os professores ou pedagogos estão preocupados em entender a “realidade” em que vivem suas turmas de alunos? O nosso mundo de hoje precisa de seres humanos cujas habilidades e competências foram desenvolvidas, não precisa de enciclopédias ambulantes que podem repetir frases ou conceitos apenas para mostrar uma boa memória.

A democracia é um erro no script da Matrix. Augusto de Franco, escritor, palestrante e consultor. É o criador e um dos netweavers da Escola-de-Redes.

Não é óbvio que o aluno é quem tem as melhores condições de dizer o que sabe e o que não sabe? Ele, melhor do que ninguém sabe dizer se um determinado método de ensino foi ou não eficaz no seu aprendizado e de que maneira ele acredita que pode compreender determinados conteúdos com mais facilidade. Basta que pensemos em nós mesmo como alunos em um curso. Como gostaríamos de ser avaliados? 


Augusto de Franco nos diz, em seu livro Capital Social, que “Não se pode medir a qualidade porque o ato de medir é o ato de discriminar para comparar, a partir de um padrão comum adotado para possibilitar a comparação entre mais de dois objetos”. 

Nossa sociedade de imenso volume informacional e o constante progresso tecnológico apontam para um trabalho cada vez mais imaterial o qual ressalta cada vez mais as aptidões intelectuais e cognitivas das pessoas. Como os sistemas educacionais podem continuar com metodologias que apenas “formam” força de trabalho e mão-de-obra? É preciso que a escola e a universidade entenda que seu papel agora é auxiliar no desenvolvimento de seres humanos, cidadãos ativos, para que se tornem capazes de inovar, de evoluir constantemente, de usar a criatividade, e adaptarem-se em um mundo de mudanças constantes em que possam dominar as transformações, lidando com imprevistos, problemas.

Mafalda, personagem de Quino.




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